A evolução das placas de vídeo

oodoo, GeForce, ATI Radeon… Bem, a história é longa

Que tal utilizar computadores para jogar sem o auxílio de uma placa 3D? O que seria do PC sem a famosa placa de vídeo? Bem, eu não posso prever o futuro, mas acredito que a falta de uma visualização tridimensional das coisas seria inaceitável para o mundo dos video games. É difícil imaginar a evolução dos jogos sem o uso de peças que possibilitassem visuais em três dimensões.

É por isso que o Blog World INTERNET  decidiu mostrar aos usuários a evolução das placas de vídeo para computadores. O espetáculo das animações gráficas passou por uma transformação brutal ao longo do tempo, e “lendas” — como a 3DFX Voodoo 3 — merecem ser relembradas. Hoje em dia, a GPU (Graphics Processor Unit, ou unidade de processamento gráfico) está mais ativa do que nunca.


O Começo
Antigamente, a inovação. Hoje, o aprimoramento
Antes de tudo, uma pequena base. Para quem ainda não sabe, a placa de vídeo é o periférico responsável por gerar e enviar imagens para os monitores. Enquanto a GPU, a memória e outros componentes são encarregados de lidar com os dados a serem processados, os painéis de saída (como a VGA — Video Graphics Array, conhecida por sua tradicional cor azul — e a DVI — Digital Visual Interface, a saída digital) são os responsáveis pela transmissão das imagens da placa à tela.

Algumas placas-mãe (em inglês, motherboards) contam com adaptadores de vídeo embutidos, mas o mais comum é comprar uma placa separada e encaixá-la no slot apropriado, seja ISA (obsoleto), PCI, AGP ou PCI Express. Neste especial, constam bons exemplos de placas de vídeo que se destacaram em suas respectivas épocas.

A Pioneira
Com o lançamento do primeiro IBM PC, foi criada também a primeira placa de vídeo. A espetacular IBM MDA — Monochrome Display Adapter, ou adaptador de vídeo monocromático — trabalhava apenas em modo texto, conseguindo exibir 25 linhas e 80 colunas de caracteres na tela… Em alta resolução, é claro.

Que Crysis que nada. Este monstro da informática consegue mostrar imagens (na realidade, textos) em apenas uma cor e conta com a quantidade impressionante de 4 KB de memória de vídeo. Digite furiosamente e verifique se os caracteres aparecem com atraso no monitor. Somente assim para testar o potencial da MDA.

O princípio da aceleração 2D

S3 é um nome que faz muitos gamers antigos tremerem nas bases. Pois, quando a fabricante de chips despontou com a S3 Trio, tudo mudou. Considerada por muitos como a primeira placa de vídeo propriamente dita, a S3 Trio fez estrago na década de 90.

A inovação, aqui, é a reunião de três componentes básicos utilizados por fabricantes de placas de vídeo: a GPU, o RAMDAC (que converte os sinais digitais dos chips para sinais analógicos do monitor) e o gerador de frequência. Três diferentes versões da S3 Trio marcaram presença nessa época juntamente com os chips Mach8, Mach32 e Mach64 da ATI.


Que venha o 3D

O destino inevitável das placas de vídeo
“ViRGE Maria!” Que gráficos assustadores, hein?

É exatamente este um dos nomes que simboliza a chegada dos visuais em três dimensões ao PC: S3 ViRGE. 1995 foi o ano, S3 foi a fabricante. Os fãs de realidade virtual ficaram abismados com o lançamento da série ViRGE, tanto que o mercado de placas foi dominado pela companhia por um bom tempo.
Simplesmente fenomenal

Contando com 4 MB de memória onboard e com uma frequência de memória de até 66 MHz, a ViRGE despontou com uma série de funcionalidades interessantes: filtro de texturas Bilinear e Trilinear, Alpha Blending, mapeamento MIP, mapeamento de texturas de vídeo, Z-Buffering… Se isso é grego para você, basta saber que as inovações são muitas e causaram um forte impacto na indústria.

O curioso é que, mesmo com todas essas propriedades avançadas, as placas ViRGE causavam constrangimento em muitos usuários. Reações do tipo “virge santo, o PC está muito lento!” eram comuns, pois a CPU, algumas vezes, conseguia fazer muito melhor do que as placas da S3. Um único atrativo continuava recebendo a atenção dos consumidores: o preço.

Chega a NVIDIA, mas sem muita expressão

The first of manyDesde os primórdios da revolução 3D, a NVIDIA mostrou sua capacidade. A S3 ViRGE mal aparece e surge a NV1, uma concorrente de peso. O processamento gráfico 2D/3D desta placa é baseado em superfícies quadrangulares — o mais comum é o uso de polígonos triangulares — e conta com um processador de som de 32 canais.

Uma das peculiaridades da NV1 é a porta compatível com o video game SEGA Saturn, mas isso não evitou o fracasso da placa. A concorrência superou a NVIDIA nessa fase da evolução 3D, pois, mesmo com um desempenho relativamente bom, a NV1 e os seus estranhos polígonos quadrangulares custavam caro. Uma possível NV2 (no caso, compatível com o Dreamcast) ficou apenas nos planos da companhia.

A fúria da ATI

Este especial é mesmo ideal para trocadilhos. Um dos marcos da evolução das placas de vídeo foi que, muito antes da associação “íntima” entre os nomes Radeon e ATI, a fabricante canadense lançou a linha Rage (em português, fúria). Novamente, 1995 foi o ano.

O visual não é tão violento assim

A primeira linha da série Rage não foi muito promissora, mas a Rage II… 8 MB de memória SDRAM, 64-bit e 60 MHz de clock. Tudo isso com suporte a execução de DVD. Com isso, o desempenho foi melhorado consideravelmente, destacando a ATI na briga pelo mercado.

Quake, uma possível arma contra os concorrentes

A empresa Rendition foi outra que apareceu no meio da década de 90 para entrar no mercado de placas de vídeo. O VQuake, uma versão especial do jogo da id Software criada por John Carmack (id Software) e pela própria Rendition, foi concebido especialmente para o chipset Verite 1000, lançado em 1996.

Boa para Quake

Programar para esta placa não foi nada fácil. E contemplar visuais 2D através de um desempenho deplorável também não contribuiu nada para o sucesso da Verite 1000. Por fim, nem mesmo os tiroteios de Quake conseguiram vencer a concorrência.
E quem não se lembra da série Voodoo?

A ascensão da 3DFX foi rápida e avassaladora. Em 1996, a Voodoo 1 balançou os pilares do processamento gráfico com um desempenho 3D simplesmente espetacular. Em contrapartida, a placa não apresentava nenhuma funcionalidade 2D, o que exigia que o consumidor comprasse mais de uma placa caso optasse pela Voodoo 1.

Contemple o poderio da Voodoo 3 3000

Sim, isso é um tanto ruim, mas para os gamers hardcore, o custo valia a pena. E muito. Diversos títulos mostraram o potencial da primeira Voodoo e fizeram com que os concorrentes apenas assistissem o sucesso da placa, embasbacados. A série não durou muito, mas causou estrago. Bem, eu mesmo (Ricardo Fadel) pude testar uma Voodoo 3 3000 alguns anos atrás, e foi uma experiência chocante.
Matrix? Não, Matrox

Pelo jeito os canadenses levam jeito para a fabricação de placas de vídeo. A Matrox começou em 1978, mas só ganhou destaque na década de 90. Como de praxe, o primeiro modelo (G100) não brilhou muito, mas abriu alas para a G200, uma placa muito interessante.

128-bit, quem diria...

Aceleração 3D através de 85 MHz de clock, 64-bit, suporte à execução de DVD e MPEG 1/2 e um bom limite de memória onboard: 16 MB. Muitos aclamaram a qualidade da imagem reproduzida através da G200. Contras? Levemente mais devagar que as concorrentes, baixo desempenho OpenGL e um fraco suporte a drivers estáveis.

Os primórdios da tão criticada GMA

Graphics Media Accelerator. Três palavras que formam um verdadeiro pesadelo para vários usuários. Bem, a má fama da Intel no mercado de placas de vídeo (pois no ramo de processadores centrais a companhia sempre foi forte) tem uma raiz profunda.

Que fiasco...

Em 1998, foi lançada a i740. A placa apareceu discretamente no mercado 3D e, para a tristeza de muitos, não fez sucesso. Com uma taxa de vendas muito baixa e um desempenho, a primeira placa de vídeo da Intel apenas principiou os resultados ruins que acompanhamos com as atuais GMA.
A “força G”
NV10, o começo do sucessoA chegada da GeForce 256 (ou NV10) foi brutal. A nova arquitetura da placa acabou com a concorrência através de uma enxurrada de funcionalidades inovadoras. Exemplos? Que tal o mapeamento de ambientes para a criação de reflexos em tempo real?

Não é preciso dizer que, até os dias de hoje, o nome GeForce já desperta o interesse mesmo de pessoas que não conhecem muito sobre informática. Ponto para a NVIDIA, que atualmente briga de frente com a ATI (comprada pela AMD).

A NV10 abriu alas para placas que muitos usuários usam até hoje. Diversas lan houses adotaram a GeForce 2 e a GeForce 4 — especialmente a aclamada MX 440 para os slots AGP 8X — em seus computadores para que os jogadores se divertissem sem problemas com Counter-Strike e outros títulos de renome.

E a ATI no páreo
Tchau Rage, oi Radeon. Na realidade, foi a R100 quem iniciou a série que se estende até a atualidade. Variando de 32 MB a 64 MB de memória DDR, é difícil achar alguém que esteja arrependido de comprar uma R100.

Criando confusão desde 2000

Foi uma jogada muito boa da ATI. E bem a tempo, diga-se de passagem. Uma das poucas placas que deixaram a desejar (talvez pelo preço extremamente acessível) foi a Radeon 7000 VE, que apresenta uma redução considerável de desempenho em comparação com as demais.

É curioso saber que a R100 só virou Radeon 7200 quando a Radeon 8500 apareceu no mercado. Foi somente então que a ATI resolveu mudar o nome das antigas placas, aplicando o termo Radeon. De qualquer maneira, o que importa é que a briga entre ATI e NVIDIA começou a pegar fogo em 2000… E ninguém sabe quando ela vai acabar.

Constante evolução
Exagero ou realidade?
O fim desta história é o seguinte: não tem fim. Como diversas áreas da tecnologia, as placas de vídeo tendem a evoluir sem parar, pois os engenheiros e tecnólogos buscam cada vez mais potência, desempenho e qualidade gráfica na exibição de animações visuais.

Espero que você tenha gostado do breve agrupamento histórico de placas que constam neste especial. É claro que alguns nomes ficaram de fora (como a Trident, famosa por tentar entrar no mercado com placas relativamente simples), mas o essencial é conhecer um pouco da saga desse componente fundamental dos computadores.

A estética evoluiu junto com o poder

Atualmente, a situação é bastante convidativa para os fãs de tecnologia. Os consumidores estão se dando bem com a briga eterna entre ATI e NVIDIA , pois placas cada vez mais fantásticas surgem a preços cada vez mais baixos. No Brasil, a realidade não é tão interessante assim, mas isso não impede os gamers brasileiros de adquirirem o melhor da tecnologia, não é mesmo?

Texto de Ricardo Antunes Fadel

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